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“O papel da educação no processo de Transição Planetária”, palestra por Sandra Borba

por Cristiane Vasconcelos

Quando pensamos na importância da educação para os homens, pensamos na educação intelectual, feita pelos livros. Sem dúvida, essa é uma forma de educação necessária, mas, para sermos dignos de viver em mundo de regeneração, os ensinamentos da Doutrina Espírita nos lembram que é imprescindível evoluirmos na educação moral. A pedagoga e espírita Sandra Borba trouxe em sua palestra aspectos desse desenvolvimento moral e como podemos verdadeiramente colocá-lo em prática.

Sandra começou destacando que a mudança dos homens não acontece com a mudança do calendário. Mais do que esperar por datas específicas para a transformação da Terra, devemos agir em nossa transformação íntima. E as oportunidades para isso nos são oferecidas diariamente na vida terrena. “Somos criados simples e ignorantes e estamos destinados à perfeição. Nesse processo é que nos deparamos com os maiores problemas”, diz. E precisamos passar por tudo isso para nos instruir e, segundo o Espírito de Verdade, para que cada um construa sua individualidade.

Sandra Borba (foto por Edson Gês)

Nesse contexto, a arte da educação moral deve ser conhecida, compreendida e utilizada pelo homem para que, seguindo esses hábitos morais adquiridos, atravesse de forma menos penosa os dias que lhe são inevitáveis. Segundo Sandra, vivemos numa época em que as pessoas sofrem com crises de valores e um vazio existencial, levando ao imediatismo e individualidade em seus atos e pensamentos. “Mais do que uma crise social ou econômica, vivemos uma crise ética, pedagógica e educacional, em todas as estâncias e instituições”. E, para Sandra, isso se deve em grande parte a falta de métodos formativos de caráter, seja na família, na escola ou nas instituições. “Cada vez mais Espíritos chegam a esse mundo, temos que pensar nos cuidados para formação moral dessas crianças”, ressalta.

Sandra nos faz um chamado contra o desânimo frente a esse cenário, pois estamos aqui para nos instruir no processo que envolve lutas e tribulações. Nós espíritas, podemos fazer nossa parte no desenvolvimento moral não só dos homens, mas antes, na educação moral do Espírito. Ela lembra que o Espírito de Joana de Ângelis nos falou que temos duas fatalidades definidas, a primeira é que vamos nascer e a segunda é que nascemos pra ser feliz. A justiça divina se manifesta assim nas experiências reencarnatórias, “cenários de aprendizagem onde vivenciamos nossa educação moral”. Nesses processos, temos que ter a consciência também que as expiações que passaremos não devem ser somente imposições da nossa missão, mas muitas vezes efeitos de causas que nós mesmos provocamos. Daí o cuidado constante com nosso comportamento. Sandra destacou ainda que “o progresso moral é algo que deve ser internalizado. A regeneração em nós deve ser nossa primeira preocupação, sem isso, todo o conhecimento será mera informação”, e terminou dizendo: “Lembremos o que Jesus disse no sermão da Montanha, vóis sois o sal da Terra, brilhe sua voz diante dos homens”.

Sandra Borba durante a palestra (foto por Edson Gês)

Alberto Almeida fala do amor para os novos tempos

por Lea Cunha

Em tempos de oportunidade, para sair do estágio em que estamos para o estágio de regeneração, o médico homeopata, com formação em Psicologia Transpessoal e Terapia Familiar, Alberto Almeida falou, na manhã deste domingo (15/04), sobre o nível de amorosidade capaz de fazer face às novas demandas da Terra.

Almeida iniciou a palestra “O amor para os novos tempos” propondo algumas reflexões, como: “eu amo ou eu desejo ser amado?”, “eu amo essa pessoa ou eu amo ter essa pessoa ao meu lado?” e “o amor que eu amo é amor ou projeção das minhas necessidades?”.

Em um breve inventário sobre o que a humanidade conseguiu construir, ele viajou pelas culturas e desvendou um pouco da evolução do amor. O Hinduísmo promoveu o encontro do “si” em cada um. O Taoísmo, na dualidade de yin e yang, desmitificou o prevalecimento de alguma das partes. O amor, já pelo Ocidente, na Grécia, trouxe a fixação do olhar de si mesmo pelos olhos do outro, preconizando o amor à nossa imagem espelhada. Tal como a figura de Narciso, a maior parte das pessoas afoga-se, o que torna as frustrações inevitáveis.

Alberto Almeida (foto por Edson Gês)

Com o Judaísmo, ainda, viabilizou-se que o outro é também um sujeito. Ensinou que é preciso ver o outro para além de nós mesmos, e que a necessidade do próximo também deve ser observada. Nessa perspectiva Judaica, nasceu Jesus Cristo, que incrementou as relações de amor afirmando que somos capazes de amar ainda aquele que nos persegue, coroando assim o amor pelos nossos inimigos. Durante a palestra, Alberto Almeida trouxe suas experiências de terapeuta, apontando que o inimigo que devemos amar está, principalmente, dentro de nós mesmos.

 

Olhar para dentro

 “Só existem inimigos fora de nós porque há um inimigo por dentro. O inimigo interno faz-me competente para odiar o inimigo externo. Criamos alvos de conflitos porque não conseguimos amar a nós mesmos. O obsessor interno limita a nossa desenvoltura amorosa, pois ninguém consegue amar plenamente quando não se ama a si mesmo”.

Alberto Almeida

 Segundo ele, as dificuldades das nossas relações dizem muito sobre nosso íntimo. E o que há em mim deve ser revisitado, a fim de diminuir as dores existentes nas relações. “O aprisionamento do ego estimula a formação do amor nas bases no egoísmo. Disfuncionalidades do amor podem gerar sofrimento ou gerar indivíduos que busquem o sofrimento. Às vezes amamos pelo que mais precisamos. Ou buscamos no outro a energia adormecida em nós ou amamos pelas semelhanças, pela igualdade de pontos cegos”, explica. Alberto afirmou que amar é poder trabalhar-se naquilo que não está bom.

Regeneração

Alberto Almeida concluiu a apresentação elucidando que, após conseguirmos amar os nossos inimigos internos, conseguiremos deixar o outro ser o que ele é, e passaremos a querer amar, pois quem é amado está na infância, e quem ama atingiu a maturidade. Chegaremos ao estágio de amar os mendigos morais, os presos das drogas, as vítimas e os algozes de violências.

“Seremos chamados a amar os pequeninos que povoam as ruas, a amar os que deveriam ser melhores governantes e legisladores. Jesus te chama para o reencontro. Amar quem está no desencontro da lei do amor. Você, que está consciente dessa necessidade, irá amar”, finalizou.

Encerramento 2ºCEDF

A última atividade do 2º CEDF está sendo realizada neste momento. Um momento de perguntas e respostas, de interação mais direta com os expositores e de reflexão sobre temas quotidianos relacionados à transição planetária e, principalmente, à modificação da humanidade que ruma à sua evolução.

Outras informações, bem como imagens de todos os dias de evento e links interessantes para divulgadores espíritas podem ser encontradas no blog oficial do Congresso: http://2congressoespiritadf.wordpress.com/

por Davi Marco Lyra Leite

Atividades para Crianças

Enquanto os jovens tiveram um dia de sábado com programação especial, o domingo resevour várias atividades para as crianças do movimento espírita do Distrito Federal.

Os pequenos, com idades entre 7 e 12 anos, entraram em contato com o processo de transformação pelo qual passa o nosso planeta e seus habitantes. Elas foram questionadas sobre o certo e o errado na ótica da Doutrina Espírita e segundo Iracema, coordenadora da Diretoria de Infância e Juventude da Federação Espírita do Distrito Federal (FeDF), a reação foi muito boa.

Por exemplo: fizemos uma dinâmica com eles, na qual, uma lixeira estava tomada com lixo espalhado em volta e perguntamos se isso é certo ou errado. Foi unânime a declaração de que aquela situação não estava certa

Iracema, coordenadora do DIJ/FeDF.

Crianças nas atividades da manhã (foto por Tio Ito)

Segundo ela, são respostas como essas que dão a segurança para que se afirme que as crianças estão bem preparadas e, especialmente, abertas a ajudar o próximo. “Essa constatação é, certamente, fruto das atividades de evangelização, que ocorrem nas casas espíritas e, de modo muito especial, nos lares dessas crianças”, declarou a coordenadora do DIJ/FeDF.

Augusto e Tita, do Atualpa, durante a atividade para as crianças (foto por Tio Ito)

Pelos dados da FeDF:

  • 64 crianças participam do Congresso.
  • A idade delas varia entre 7 a 12 anos.
  • 80% das crianças participantes foram inscritas na sexta-feira, dia 13, primeiro dia do congresso.
  • 30 voluntários foram mobilizados especificamente para essas atividades.

Assim, como disse o Cristo:

Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, pois dela é o Reino dos Céus“. (Mt. 19-14)

por Davi Marco Lyra Leite e Aurélio Prado

Palestra “A defesa da vida”, por Marlene Nobre

Por Cristiane Vasconcelos

A médica Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil, abriu a programação de palestras do segundo dia do 2° Congresso Espírita do DF, presenteando o público com o tema “A defesa da vida”. Discorrendo sobre assuntos importantes sobre o direito à vida humana, Marlene mostrou clareza na exposição, conhecimento e, acima de tudo, respeito por esse bem que, segundo ela mesma diz, é “um bem indisponível por ser uma doação de Deus”.

Muitas são as razões humanas para tentar justificar ações contrárias à vida, como, por exemplo, o aborto, um dos temas mais polêmicos nesse sentido. Em sua palestra, Marlene Nobre apresentou as razões divinas, por meio de informações científicas e do Espiritismo, para se proteger a vida. “A vida começa na concepção, momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo, gerando o zigoto, que é o clamor da vida” como informa a questão 344 do Livro dos Espíritos, sobre o início da vida humana.

Com a formação do embrião, os laços do Espírito com seu corpo vão se estreitando ao longo da gestação, segundo a Doutrina. Além disso, considerando as descobertas científicas, Marlene revelou diferentes resultados de pesquisas que mostram como o feto, desde seu início, possui uma psique, uma memória. O embrião já possui, mesmo antes da formação de um cérebro, neuropeptídeos que promovem o diálogo com os sistemas nervoso e endócrino. “O embrião contém, em suas células, todo o projeto de um novo ser, mostrando que não pode, assim, ser somente um emaranhado de células”, defende. Citou o exemplo da bebê Kristina, nascida na Suécia, que não aceitava o leite de sua mãe, mas  apenas outros leites, inclusive os de outras mães. Tempos depois, o médico responsável pelo estudo do caso, escutou, da mãe da menina, que desde que ela havia sabido de sua gravidez, não queria  ter a criança, e teria pensado, inclusive, em praticar o aborto. “A mãe emitiu o sentimento de rejeição, que a criança sentiu. Uma prova da psique do feto”.

Doutora Marlene Nobre (foto por Edson Gês)

Ainda citando o Espiritismo, Marlene destacou aspectos morais que envolvem temas como aborto e fertilização em laboratório. Ela cita a questão 680 do Livro dos Espíritos, cuja resposta explicita que Deus é justo, só condenando aquele que voluntariamente tornou inútil a sua existência. “Essa resposta é definitiva para nós. Devemos ter essa questão como base para qualquer atitude bioética que tomemos”, destaca a palestrante. Sobre a concepção em laboratório, Marlene conta que, de acordo com os Espíritos, esta questão seria até mais possível, pois não passa pela interferência do perispírito da mãe. A esse respeito, ela resgata o Teorema de Bell, da física quântica, que diz que a comunicação independe de espaço e tempo, podendo acontecer em qualquer lugar e momento. Assim se dá com as ligações do Espírito ao corpo físico, que podem acontecer no útero da mãe ou em laboratório.

Ainda assim, ela ressalta um ponto fundamental para a criação da vida: a vontade divina. “O homem já gastou milhões para tentar criar uma vida em laboratório e não conseguiu absolutamente nada até agora. Por que insistimos em interferir em algo que desconhecemos? Fazemos medicina para Deus, por isso não interferimos na vida que é obra exclusiva de Dele”.

Aborto de anencéfalos

A médica Marlene Nobre trouxe, ainda, informações esclarecedoras sobre o  aborto de anencéfalos. Ela explica, cientificamente, que o projeto Genoma Humano mostrou que os genes não carregam as características de um ser. Conta, ainda, que o médico integrante desse projeto, o doutor Francis Collins, disse, na época, que “é uma falácia crer na ideia que as características estão impressas no genoma humano”.

Sobre a formação do encéfalo no feto, ela diz que cada caso é um caso, “não podemos colocar tudo numa mesma medida”. Pesquisas científicas mostram que, em casos de anencéfalos, existe no feto estrutura de encéfalo, que é o tronco cerebral alto, em porções variáveis dependendo do caso. O médico Wilder Penfield, em seu livro “O mistério da mente” (1983), mostra que o indispensável substrato da consciência não está no córtex cerebral, que é a parte que não se forma no anencéfalo. A mente está no tronco cerebral alto e, segundo ele, o córtex seria necessário para a exteriorização do conteúdo da mente.

Considerando os ensinamentos espíritas, Marlene nos conta a seguinte história: “Imagine que você ama imensamente um espírito que cometeu suicídio com um tiro que lhe esfacelou o cérebro. Esse Espírito está agora num estado lastimável no mundo espiritual e você então roga a Jesus por uma oportunidade de reencarnação para ele. Você sabe que ele será um anencéfalo, mas, o que vai acontecer com ele? Ele terá a chance de refazer seu perispírito com essa reencarnação e você está muito feliz com isso. Você, que ama esse Espírito, deseja vida longa a essa mãe que o recebeu, enquanto os homens dizem: morte ao anencéfalo”.

Por fim, ela nos lembrou a palavra de Chico Xavier, “Aborto é um delito grave para a Providência Divina. A vida não nos pertence, mas, sim, ao poder divino”.

A palestrante terminou sua explanação sendo aplaudida de pé pelo público presente. “Ela nos trouxe uma visão médica sobre o assunto, o que nos ajuda a entender melhor a questão da vida e não ficarmos só na especulação”, diz o jovem Alberto Valim. A servidora pública Renata de Andrade é objetiva: “Foi maravilhosa a palestra. Foi muito boa a abordagem científica desconhecida pela gente. Isso só reforça nossa opinião contrária ao aborto”.

Dra Marlene Nobre durante a palestra (foto por Edson Gês)

Programação para Jovens

Nossos jovens tiveram várias atividades no decorrer desse sábado. Pela manhã as atividades foram dirigidas por Janine Mattar e Frederico Pifano – para os mais novos (de 13 a 15 anos) -, enquanto o responsável pelos mais velhos (dos 15 aos 21 anos) foi o palestrante Alberto Almeida. Para mais informações sobre isso, acesse: http://goo.gl/0iE8I

Durante a tarde, os jovens mais jovens foram acompanhados pela palestrante Elaine Lopes, que ministrou a atividade: “Oficina de Arte”, enquanto os mais velhos foram acompanhados pela Caompanhia Espírita Laboro e, em seguida, pela presidente da Associação Médico Espírita do Brasil Dra. Marlene Nobre.

Jovens com a Dra. Marlene Nobre (foto por Tio Ito)

Em seguida, após um rápido intervalo para conversas e descontração, nossos jovens tiveram uma última atividade dividida em dois momentos: inicialmente os grupos ficaram com Frederico (os mais novos) e Janine (os mais velhos). Por fim, o dia se encerrou com um momento artístico em conjunto com os colaboradores da FeDF.

Momento dos Jovens com Frederico Pifano (foto por Tio Ito)

por Davi Marco Lyra Leite

Atividades da Tarde

A entrada para as atividades da tarde do 2º CEDF está liberada para todo o público de forma gratuita a partir das 14h00.

Teremos um painel com os palestrantes: Alberto Almeida, Elaine Lopes, Haroldo Dutra, Mayse Braga, Wagner Paixão e Sandra Borba.

Os interessados podem se dirigir à parte norte do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em que fica o grande auditório onde estão sendo realizadas as palestras do evento.

por Davi Marco Lyra Leite