Archive | janeiro 2011

Espiritismo no dia-a-dia

Estudantes dos EUA passam verão no Brasil com aulas e trabalho social

Consideradas universidades ‘top’, Harvard e MIT têm programas no país.
Jovens querem aprender português e conhecer bairros pobres.

Fernanda Nogueira Do G1, em São Paulo

Estudantes de universidades top dos Estados Unidos estão interessados em estudos e trabalho no Brasil. Na última semana, um grupo da Universidade Harvard, considerada a melhor do mundo, desembarcou no país para aprender português e fazer trabalho social. Outro grupo chegou do conceituado Massachusetts Institute of Technology (MIT) para conhecer uma favela e desenvolver projetos sustentáveis que melhorem a vida dos moradores locais.

Estudante de Harvard em Florianópolis
Estudante de Harvard brinca com crianças de ONG em Florianópolis (Foto: Divulgação)

O interesse de estudantes, professores e pesquisadores estrangeiros pelo Brasil cresce com o desenvolvimento econômico e a proximidade das Olimpíadas e da Copa do Mundo no país, segundo o gerente do escritório da Universidade Harvard em São Paulo, Tomás Galli de Amorim. A instituição tem vários programas diferentes de estudos, trabalho e pesquisa no Brasil.

Para o programa de estudos da língua portuguesa aliado a trabalho social, houve 60 inscrições para 15 vagas, segundo Aaron Litvin, coordenador do programa de estudos brasileiros do centro de estudos latino-americanos de Harvard, chamado David Rockfeller Center for Latin American Studies.

O grupo está em Florianópolis, onde estuda pela manhã e trabalha à tarde na colônia de férias da ONG Cedep, no bairro Monte Cristo. Os jovens participam de atividades de leitura, música, dança, esportes e aulas de inglês e português. “Esse programa é um ponto de partida para poderem prosseguir os estudos sobre o Brasil”, disse Litvin.

Ben Wilcox, aluno de Harvard que veio estudar no Brasil
Ben Wilcox, aluno de Harvard, estuda português
e quer escrever sobre favelas (Foto: Divulgação)

Fazem parte da turma alunos de vários cursos como ciências sociais, ciência política, economia e literatura. Além dos Estados Unidos, há jovens de Canadá, México, Quênia, Romênia, França, Bahamas e Bolivia.

“A participação em um programa social ajuda os estudantes a ter uma visão da realidade brasileira e contribui para poderem entender questões de desigualdade social e a importância de contribuir para a inclusão, a educação e a criação de oportunidades no Brasil”, disse Aaron.

O aluno do curso de história de Harvard Ben Wilcox, de 20 anos, faz parte do grupo de estudantes que está em Florianópolis. Antes de vir ao Brasil, o norte-americano de Chicago estudou português por três semestres. “O mais interessante é poder praticar com os meninos. É mais difícil”, disse Wilcox.

Entre uma atividade e outra na ONG, o estudante disse que aproveita para divertir as crianças jogando basquete. “Eles gostam de ver um americano de dois metros de altura jogando”, afirmou. Diversão à parte, Wilcox planeja escrever sobre favelas brasileiras na tese final da universidade.

“Pretendo voltar em julho para trabalhar em São Paulo e pesquisar mais sobre favelas. Já estudei favelas do Rio de Janeiro, mas não sei nada sobre as de outras cidades. É muito mais complicado do que usualmente é entendido nos Estados Unidos e mesmo no Brasil”, afirmou.

Soluções
Enquanto os jovens de Harvard estudam em Florianópolis, um grupo de alunos do Massachusetts Institute of Technology (MIT) passou duas semanas imerso na realidade de um bairro pobre de Embu das Artes, em São Paulo, em busca de soluções sustentáveis que pudessem melhorar a condição de vida dos moradores.

O trabalho foi feito em parceria com estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), além da ONG Família Inês, formada por jovens do bairro Santo Antônio.

Estudantes do MIT em Embu das Artes (SP)
Grupo de estudantes posa com moradores do bairro Santo Antonio em Embu das Artes (SP) (Foto: Divulgação)

Os jovens, 12 deles do MIT, passaram a primeira semana conhecendo os problemas e a segunda semana desenvolvendo projetos de melhoria nas áreas de água, energia, lazer e moradia. O programa do MIT envia estudantes de engenharia e outras áreas de exatas todo ano para países diferentes, como Índia, Tanzânia e Brasil. Vieram ao país alunos americanos, da África do Sul, de Gana, além de brasileiros.

Karine Tiemi Yuki, de 19 anos, que faz o segundo ano de graduação no MIT, é de São Paulo. Ela lidera o grupo da universidade no projeto. Na universidade, o foco principal dos estudos dela são as áreas de ciências políticas e física. “No ano passado fui à China. Neste ano, fiz questão de vir para o Brasil, porque é meu país”, disse.

Estudantes de universidades brasileiras aproveitaram a oportunidade para fazer contatos. Felipe Hessel de Paula, de 19 anos, que faz o primeiro ano de ciência da computação na UFSCar, fez questão de participar quando soube que haveria estudantes do MIT. “Queria ter contato com estrangeiros”, afirmou.

Charles Cristian Miers, de 36 anos, que faz doutorado em engenharia da computação na USP, participa pela primeira vez do projeto. “Pretendo aplicar os conhecimentos que tenho nos projetos”, disse.

Parquinho projetado e construído por estudantes do MIT
Parquinho em Embu das Artes (SP), projetado e
construído com participação de estudantes do MIT
(Foto: Divulgação)

Os projetos do grupo resultaram na construção de um parque para as crianças, em melhorias no campo de futebol, em um guia para o tratamento de água, manuais e protótipos para a confecção de uma tampa para poços e uma bomba d’água.

Doações dentro e fora da comunidade, mão de obra dos próprios moradores, material reciclado e materiais descartados foram algumas das soluções encontradas pelas equipes para contornar obstáculos financeiros, segundo Miguel Chaves dos Santos, de 25 anos, formado em mecatrônica pela USP e coordenador do projeto.

“O objetivo mais importante é trabalhar com os moradores da comunidade e não trabalhar para as pessoas da comunidade. O incentivo a essa atitude é essencial em comunidades mais pobres para mostrar que é possível desenvolver e implementar soluções sem a necessidade de sempre esperar por orgãos governamentais”, disse Miguel.

Fabiano Malaquias Souza da Conceição, de 30 anos, é um dos criadores da ONG Família Inês, que tenta tirar crianças e adolescentes da rua. Apenas com investimentos dos próprios integrantes e por moradores do bairro, a ONG promove cursos, como música e artesanato, além de eventos para os 30 participantes de 11 a 17 anos, com a ajuda de voluntários. “Já procuramos o poder público, mas só tem promessa. Acham que somos um bando de moleques”, afirmou.

A ONG é formada por oito jovens do bairro que conseguiram chegar à faculdade e querem fazer outros estudantes da região a acreditar que podem fazer o mesmo.

ESPIRITISMO NO DIA-A-DIA

“Estive nu e me vestiste, tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber. Em verdade te digo que tudo o que fizeres a cada um destes pequeninos, é a mim que fizestes”   Jesus Cristo

Anúncios

Vídeos de Jiz

Estendamos, assim, a fraternidade pura e simples, amparando-nos mutuamente…” (Emmanuel, Fonte Viva, cap.15).

Espiritismo e pipoca

Clint Eastwood abraça o sobrenatural em “Além da Vida”

Aos 80 anos, consagrado cineasta norte-americano explora a ideia da vida após a morte e faz seu filme mais espiritual

A onda de filmes espíritas que invadiu os cinemas brasileiros em 2010 pode levar até os fãs mais fiéis do cineasta norte-americano Clint Eastwood a torcer o nariz para seu novo trabalho, “Além da Vida” (“Hereafter”), que estreia nesta sexta-feira (7).

O título em português, digno de novela das seis, deve reforçar a impressão de que, aos 80 anos, o consagrado diretor decidiu convencer o público sobre a existência de vida após a morte. Eastwood, porém, não é afeito a filmes de tese. Mesmo ao lidar com temas polêmicos – a eutanásia em “Menina de Ouro” (2004) e a pena de morte em “Crime Verdadeiro” (1999), por exemplo –, ele sempre prefere contar uma boa história a fazer campanha.

Em “Além da Vida”, segue a mesma linha: parte do princípio de que existe vida após a morte sem tentar oferecer respostas para as questões dos personagens ou as do público. É, sem dúvida, o filme mais espiritual do diretor, ainda que o sobrenatural já tenha marcado presença em obras como “Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal” (1997) e, de forma indireta, “O Estranho Sem Nome” (1973). “Além da Vida” acompanha três personagens que, de formas distintas, estão ligados à morte.

Em São Francisco, George Lonegan (Matt Damon, em excelente e sutil atuação) tenta deixar para trás uma promissora carreira como médium. O dom de estabelecer contato com pessoas mortas, que possui desde a infância, tornou-se para ele uma maldição que o impede de levar uma vida normal. Em Londres, o garoto Marcus sofre com a trágica morte do irmão gêmeo, Jason (George e Frankie McLaren se revezam nos dois papéis), e recorre a todo tipo de crença e tecnologia para entrar em contato com ele: videntes, centros espíritas, vídeos religiosos, microfones superpoderosos e até a observação de espelhos.

Em Paris, a jornalista Marie Lelay (a ótima atriz belga Cécile De France) vê sua vida mudar radicalmente após sobreviver ao tsunami de 2004, recriado por Eastwood em uma sequência de tirar o fôlego (“Além da Vida” foi pré-selecionado para o Oscar de efeitos visuais). Engolida pelas ondas gigantes, ela passa pela chamada “experiência de quase-morte” e, de volta para casa, se dedica a investigá-la. Com a história de Marie, Eastwood e o roteirista Peter Morgan (de “A Rainha” e “Frost/Nixon”) retratam quem acredita na vida após a morte como vítimas de isolamento e preconceito.

A obsessão da jornalista pelo tema tira sua credibilidade e coloca em risco uma carreira em ascensão na TV francesa e um relacionamento amoroso, ainda que sua crença seja mais científica que religiosa. Cada vez mais sozinha, Marie sentirá alívio no encontro com pessoas como ela, com quem possa dividir abertamente o interesse por perguntas que, para grande parte da sociedade, não devem ser feitas.

O encontro entre os três personagens principais será tão conveniente quanto pouco convincente, e a “forçada de barra” para os destinos se cruzarem tira parte da força de “Além da Vida”. O excesso de coincidência, porém, não diminui o prazer de acompanhar o modo detalhado com que Eastwood apresenta as histórias de George, Marcus e Marie, talvez a grande qualidade do filme.

Em entrevista à televisão canadense durante o Festival de Toronto, Clint explicou a preferência por um ritmo mais lento: “Na geração MTV em que vivemos, é algo de que ainda gosto: que possamos desenvolver as histórias de verdade e conhecer as pessoas em detalhes, ao invés de apenas jogar com a dificuldade de concentração dos dias de hoje”. Em um dos melhores momentos do filme, George aproveita uma aula de culinária para conhecer Melanie (Bryce Dallas-Howard, muito bem no papel), uma jovem tão solitária quanto ele.

A conversa cheia de revelações acontece durante um dos exercícios, no qual, vendada, ela deve descobrir os ingredientes das pequenas porções servidas por George. A cena – simples, original e bonita – acrescenta pouco em termos de ação, mas é um verdadeiro primor no que diz respeito à construção de personagens. Com sequências como essa, Clint faz um filme mais sobre a vida que sobre a morte, no qual as especulações sobre “o outro lado” não se sobrepõem ao “mundo real”. Em meio a tantas dúvidas sobre o que vem depois, só há uma certeza: a vida será sempre limitada e as verdadeiras conexões devem ser feitas agora

Vídeo de Jiz

Publicado no site Dá-lhe Mongo http://dalhemongo.com

Jizão da Semana

Carta de Ano Novo, de Emmanuel

Ano Novo é também renovação de nossa oportunidade de aprender, trabalhar e servir. O tempo, como paternal amigo, como que se reencarna no corpo do calendário, descerrando-nos horizontes mais claros para a necessária ascensão.

Lembra-te de que o ano em retorno é novo dia a convocar-te para execução de velhas promessas, que ainda não tiveste a coragem de cumprir. Se tens inimigo, faze das horas renascer-te o caminho da reconciliação. Se foste ofendido, perdoa, a fim de que o amor te clareie a estrada para frente.

Se descansaste em demasia, volve ao arado de tuas obrigações e planta o bem com destemor para a colheita do porvir. Se a tristeza te requisita, esquece-a e procura a alegria serena da consciência feliz no dever bem cumprido.

Novo Ano! Novo Dia! Sorri para os que te feriram e busca harmonia com aqueles que te não entenderam até agora. Recorda que há mais ignorância que maldade, em torno de teu destino. Não maldigas, nem condenes.

Auxilia a acender alguma luz para quem passa ao teu lado, na inquietude da escuridão. Não te desanimes, nem te desconsoles. Cultiva o bom ânimo com os que te visitam, dominados pelo frio do desencanto ou da indiferença.

Não te esqueças de que Jesus jamais se desespera conosco e, como que oculto ao nosso lado, paciente e bondoso, repete-nos de hora a hora: – Ama e auxilia sempre.

Ajuda aos outros, amparando a ti mesmo, porque se o dia volta amanhã, eu estou contigo, esperando pela doce alegria da porta aberta de teu coração.

Emmanuel Livro Vida e Caminho – Francisco Cândido Xavier