Archive | outubro 10, 2010

Congresso Espírita Mundial

Quarta conferência da tarde, ministrada por Jorge Berrío, expositor colombiano.

“A Construção da Paz à Luz da Imortalidade do Espírito”

O conferencista, fala da importância do despertar da consciência, a questão da dor para esse processo e do aprendizado necessário para a conquista da nossa paz.

Necessitamos, para construir a paz, crer que o espírito é imortal e, que desse modo, há a necessidade de vivermos como reencarnacionistas – aqueles que creem no progresso e nas diversas vidas para a evolução, e não como formas de quitarmos novos débitos agora para pagarmos um dia no futuro -, pois caso contráris atuaremos como imediatistas. Devemos ter em mente que iremos renascer quanto for necessário para progredir a fim de termos a nossa paz, mas que é necessário o trabalho para que cada nova experiência se dê em uma condição melhor que a anterior.

Devemos entender bem o que é a reencarnação a fim de compreender o que é o progresso e desse modo podemos caminhar adequadamente, ao invés de pensar em levar os débitos para adiante – devemos pensar no que fazer agora para chegarmos, à próxima oportunidade, melhores do que estamos nessa.

Cada um vive o que é justo e que necessita, como ele bem disse: “A vida na reencarnação nos mostra o que é realmente a lei de causa e efeito”. Dessa forma, um espírita consciente da reencarnação não pode lamentar-se, deve sim trabalhar sempre – conforme nos é dito na pergunta 230 do Livro dos Espíritos: “É na vida corporal que o espírito põe em prática o seu novo aprendizado”.

Assim, a conquista interior de cada um é imprescindível para o progresso individual e para nos livrarmos do vazio individual que nos acomete. Ao entendermos a reencarnação compreendemos o porquê de estarmos aqui, nos damos conta da razão de termos essas pessoas por nossos convivas e nos conscientizamos das razões que nos levam a passar por tudo que acontece em nossas vidas.

Ele completa ao dizer que cada um de nós se comunica com os espíritos, como a Doutrina nos comprova através de seus estudos, diferentemente das outras filosofias espiritualistas. Assim, temos a consciência de que ao mundo espiritual cada um de nós levará o que tem aqui na Terra, nada de diferente. Então para termos a tão sonhada paz ao chegarmos no outro lado, devemos estar em paz aqui – devemos dar graças a Deus por essa luz que ilumina nossa consciência e não podemos deixá-la apagar pela nossa preguiça e comodidade.

A paz não é a do mundo, mas sim a do espírito, conquistada pela paz de consciência ao fazer o bem, construindo coisas boas e edificantes. Desse modo, pelo caminho, vamos encontras as situações necessárias para encontrar e conquistar a nossa paz, identificando quais são os pontos que nos impedem de viver em equilíbrio e trabalhando-os a fim de progredir e nos prepararmos para sermos sempre versões melhores de nós mesmos e construir o novo futuro.

“Aprendamos a abrir as portas do nosso coração, aprendamos a ser cristãos, aprendamos a regressar a nossas casas com a certeza de que sermos espíritas é o melhor que pode nos ter acontecido.”

 

 

 

 

Por Davi Marco Lyra Leite

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Congresso Espírita Mundial

A segunda conferência do começo dessa tarde foi ministrada pelo palestrante espanhol Juan Miguel Fernández Muñoz, de Madri.

Seu tema era: Comprovações da existência e da imortalidade do Espírito.

A conferência começou com a abordagem de personalidades históricas, como Platão e Tosltói, que acreditavam e trabalhavam com o conceito de sobrevivência do Espírito.

Em seguida, ele passou a comentar sobre os atuais trabalhos e estudos relacionados à vida após a morte, como os iniciados a partir de relatos das experiências de quase morte – que nos trazem impressões concretas do mundo dos espíritos -, ou com os estudos de pesquisadores não espíritas que lidam com o tema da reencarnação, através das terapias de regressões a vidas passadas.

Fernández Muñoz também falou sobre o fenômeno de transcomunicação, citando que ele era algo muito recorrente e que se tornara, portanto, objeto de investigações mais aprofundadas. Assim como a materialização, tão comum em casas espíritas no começo do século passado, mas que devido à orientação da espiritualidade deixou de praticada na maioria dos grupos espíritas.

Por último abordou o transhumanismo, nova linha filosófica que compara os homens a computadores biológicos, o que pode dar a explicação do funcionamento fisiológico humano, mas não fornece a resposta principal: onde está contido o software desse aparelho tão moderno? A resposta é simples: no espírito, nesse caso tratado como alma – que segundo o Livro dos Espíritos nada mias é que o Espírito encarnado.

Trabalhou conceitos relacionados ao pensamento de evitar a morte e como persistir na vida, mostrando que por um encadeamento simples e fácil que basta analisarmos a reencarnação, que nos põe em contato com a nossa consciência (resquícios de experiências passadas e nossa ligação com a Divindade) e com a nossa memória de vida recente, que a maior prova de imortalidade não está em não perecer o corpo físico, mas em reencarnar e progredir.

 

 

 

 

Por Davi Marco Lyra Leite

Congresso Espírita Mundial

Primeira conferência da tarde ministrada pelo Secretário do Conselho Espírita Internacional Charles Kempf, da França.

O tema abordado foi: O que é Deus?

Pergunta primeira do Livro dos Espíritos, a qual foi trabalhada em português pelo palestrante – que o fez visando facilitar a compreensão dos presentes, visto que uma grande parte dos congressistas é brasileira e que para os hispanohablantes é mais fácil entender o idioma luso do que o francês.

O sr. Kempf relembrou os conceitos apresentados no Livro dos Espíritos, abordando as perguntas que tratam do tema da palestra, versando sobre os atributos da Divindade e mostrando algumas provas da existência de Deus – com direito a uma pequena brincadeira matemática quando quis provar a existência dEle a partir de uma sequüência lógica de relações de causas e efeitos, que terminava com a origem em Deus.

Além disso, citou trabalhos e estudos de pesquisadores, como Camille Flamarion e médicos da atualidade, que tratam a temática, ao citar que tudo na natureza que não tem causa humana – ou de encadeamentos naturais simples – pode ter a sua origem vista na divindade (até mesmo os processos naturais que levam à vida, como o funcionamento das células e dos sistemas humanos).

Terminou com o pensamento: “A idéia de Deus inata e presente em todos os tempos da humanidade.”

 

 

 

 

Por Davi Marco Lyra Leite

Congresso Espírita Mundial

Termina primeira conferência do 6o Congresso Espírita Mundial, ministrada pelo senhor Divaldo Franco, expositor espírita brasileiro e coordenador do trabalho social Mansão do Comainho.

O tema discutido foi: Somos espíritos imortais. Divaldo versou sobre a comprovação científica da vida após a morte e sobre aspectos relacionados à psicologia e ao espiritismo.

A palestra pode ser acompanhada pelo site da TVCEI, assim como a que se segue do senhor Charles Kempf, secretário do Conselho Espírita Internacional, que começará às 15h30 (em Valência, 10h30 horário de Brasília).

 

 

 

Por Davi Marco Lyra Leite

Auto de Fé de Barcelona

Protagonizado em Barcelona, ao 9 de outubro de 1861, o assim intitulado auto de fé de Barcelona foi a queima de 300 volumes de obras espíritas que haviam sido importadas pelo estudioso francês Maurice Lachâtre, o qual possuía uma livraria na cidade Catalã.

Segue parte do relato do ocorrido, como apresentado na Revista Espírita de novembro de 1861:

“Este dia, nove de outubro de mil oitocentos e sessenta e um, às dez horas e meia da manhã, sobre a esplanada da cidade de Barcelona, no lugar onde são executados os criminosos condenados ao último suplício, e por ordem do bispo desta cidade, foram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiritismo, a saber:

  • A Revista Espírita, diretor Allan Kardec;
  • A Revista Espiritualista, diretor Piérard;
  • O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec;
  • O Livro dos Médiuns, pelo mesmo;
  • O que é o Espiritismo, pelo mesmo;
  • Fragmento de sonata, ditado pelo Espírito de Mozart;
  • Carta de um católico sobre o Espiritismo, pelo doutor Grand;
  • A História de Jeanne d’Arc, ditada por ela mesma à Srta. Ermance Dufau;
  • A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta, pelo barão de Guldenstubbé.

Assistiram ao auto-de-fé:

  • Um padre revestido das roupas sacerdotais, trazendo a cruz numa mão e a tocha na outra mão;
  • Um notário encarregado de redigir a ata do auto-de-fé;
  • O escrevente do notário;
  • Um empregado superior da administração da alfândega;
  • Três moços (serventes) da alfândega, encarregados de manter o fogo;
  • Um agente da alfândega representando o proprietário das obras condenadas pelo bispo.
  • Uma multidão inumerável encobria os passeios e cobria a imensa esplanada onde se elevava a fogueira.
  • Quando o fogo consumiu os trezentos volumes ou brochuras Espíritas, o padre e seus ajudantes se retiraram, cobertos pelas vaias e as maldições dos numerosos assistentes que gritavam: Abaixo a inquisição!
  • Numerosas pessoas, em seguida, se aproximaram da fogueira, e recolheram as suas cinzas.

Podem-se queimar os livros, mas não se queimam as idéias; as chamas das fogueiras as super-excitam em lugar de abafá-las. As idéias, aliás, estão no ar, e não há Pirineos bastante altos para detê-las; e quando uma idéia é grande e generosa, ela encontra milhares de peitos prontos para aspirá-la. O que se lhe haja feito, o Espiritismo já tem numerosas e profundas raízes na Espanha; as cinzas da fogueira vão fazê-las frutificar.

Relembrado no Congresso Espírita Mundial pelos conferencistas, este auto de fé foi elemento importantíssimo na divulgação espírita e um elemento de posterior combate à intolerância religiosa.

 

 

 

 

Por Davi Marco Lyra Leite

 

Congresso Espírita Mundial

Na cidade de Valência, capital da Comunidade Valenciana – uma das regiões autônomas da Espanha -, começou o 6o Congresso Espírita Mundial.

Iniciado com a apresentação e a saudação de boas vindas do presidente da Federação Espírita Espanhola, Salvador Martin. Em seu discruso inicial ele congratulou todos os presentes, citou o trabalho de organização do congresso, que teve sua sede escolhida três anos atrás ao final da conferência em Cartagena de Índias – Colômbia, e, principalmente, falou sobre o trabalho espírita e a doutrina em seu país – aludindo o auto de fé de Barcelona, que ocorreu na capital Catalã em 1861 e foi um dos grandes marcos da divulgação espírita na Europa.

Seguiram-se às palavras do sr. Martin, o discurso inicial do Secretário-Geral do Conselho Espírita Internacional, Nestor João Masotti. Pedindo a permissão de falar em portunhol, o sr. Nestor saudou os presentes, falou sobre o trabalho na seara espírita e a divulgação do espiritismo, também citando o auto de fé ocorrido na Espanha e que levou ao conhecimento de muitas pessoas no velho mundo o que era o Espiritismo, servindo para difundir a idéia da vida após a vida (não existe a morte, pois somos espíritos imortais – como bem diz o tema do congresso). Por último, ele homenageou Rafael Molina, primeiro presindente do CEI, e agradeceu por seu trabalho feito na difusão espírita.

Após as palavras do sr. Nestor, subiu ao palanque o sr. Enrique Baldovino, da Federação Espírita Argentina, que nos brindou com suas palavras sobre a divulgação espírita, a Revista Espírita, o auto de fé. Ao falar da Revista Espírita, citou a matéria sobre Mozart e Chopin, que contam sobre a vida no mundo espiritual. Por fim, executou duas do compositor polonês e uma do pianista austríaco.

Em seguida, começou a conferência: Somos Epíritas Imortais, por Divaldo Franco, a qual pode ser acompanhada pelo site da TVCEI – http://www.tvcei.com/portal/

Por Davi Marco Lyra Leite

Personalidade de JIZ

Nome: Hyppolyte Léon Denizard Rivail

Nascimento: 03/10/1804 em Lyon, França

Desencarne: 31/03/1869 em Paris, França

Célebre educador francês, que estudou na Escola de Pestalozzi, em Yverdon-les-Bains na Suíça. Foi o codificador da Doutrina Espírita, tendo compilado o material psicografado por diversos médiuns e dado uma metodologia científica ao estudo das manifestações espíritas que ocorriam em França durante a década de 1850, principalmente na cidade de Paris.

Professor Rivail nascido em Lyon, criado em Paris e educado na Suíça, foi um renomado estudioso, sendo responsável por livros nas mais diversas áreas – a destacar a sua gramática de francês e um método de álgebra. Era uma pessoa de destaque na sociedade parisiense, devido a seus trabalhos em educação e seu critério irretocável no trabalho com as informações que lhe chegavam.

Kardec, escolhido pela espiritualidade para dar prosseguimento às revelações coordenadas por Jesus, cumpriu a sua missão ao trazer a metodologia científica para analisar os fenômenos que ocorriam na Paris do século XIX. Trouxe ao Espiritismo um caráter cartesiano que mostrou à população daquela época que os fenômenos não se tratavam apenas de manifestações magnéticas, eram exemplos de comunicações inteligentes de pessoas desencarnadas, que desejavam passar mensagens e mostrar às pessoas que a vida continua.

O professor, estudioso e investigador por natureza, foi informado sobre as seções das mesas girantes – como eram chamados os fenômenos de efeitos físicos que se observavam à época – no ano de 1854, mas apenas em 1855 sua curiosidade foi realemte despertada e ele passou a analisar mais a fundo o que se passava nesses ambientes.

Durante dois anos recolheu material para ser analisado e estudado, fez perguntas aos espíritos através dos médiuns, compilou textos e assim, após árduo trabalho, estava pronto, o primeiro livro da codificação espírita: o Livro dos Espíritos. Publicado em 18 de Abril de 1857, ele dava a fundamentação básica da doutrina através de perguntas e respostas, textos introdutórios e conclusivos, mensagens de paz e luz.

Mas o trabalho do professor Rivail não terminou por aí. Seguiram-se mais 6 livros: Livro dos Médiuns, O que é o Espiritismo, O Evangelho Segundo Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese e Viagm Espírita. Posteriormente, ao seu desencarne veio o livro Obras Póstumas – uma compilação de outros textos psicografados e manuscritos de Kardec.

Além disso, o trabalho era contínuo com a Revista Espírita, publicada mensalmente, e as atividades da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas – primeiro centro espírita organizado no mundo e que nos traz a base para o trabalho na seara doutrinária.

Casado com Amélie Gabrielle Boudet, que também era educadora de formação, Kardec foi marido carinhoso, presente e dedicado. O casal não teve filhos, todavia a todos tratava como sendo seus pupilos do coração e passava, a cada dia, a mensagem de carinho e amor, tal qual transmitida por Jesus mil e oitocentos anos antes.

Seu desencarne ocorreu em sua própria casa, resultado de um aneurisma de aorta, de forma natural e sem sofrimento, para esse elemento pujante de nosso mundo – não só pela mensagem espírita codificada, mas pelo exemplo dado no trabalho do Cristo e na educação dos pequenos, jovens e adultos.