Espiritismo no dia-a-dia

 

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“Médica acusada de quase 10 mil abortos irá a júri no Mato Grosso do Sul (12 de abril de 2009)

Em Campo Grande: (Agência Estado)

Acusada pelo Ministério Público Estadual como responsável pela interrupção da gravidez de quase 10 mil mulheres, a médica Neide Machado Mota será levada a júri popular. A decisão foi tomada no final da tarde de ontem pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), com parecer unânime dos desembargadores.

 A medida é mesma para Rosângela de Almeida, Maria Nelma de Souza, Libertina de Jesus Centurion e a psicóloga Simone Aparecida Cantagessi de Souza, funcionárias da clínica de planejamento familiar que funcionava no centro de Campo Grande e era propriedade da médica. O advogado que defende a causa, Ruy Luiz Falcão Novaes, comentou que “o processo é nulo porque as acusadas não tiveram direito do devido processo legal”.

 Explicou que, por exemplo, “as 26 mulheres tidas na denúncia como clientes de Neide e que, ainda segundo a denúncia, fizeram aborto na clínica, não foram ouvidas no processo”. Hoje ele entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), pedindo a anulação do processo sob a alegação de que não há provas suficientes para sustentar as acusações.

 Caso o STJ confirme o resultado do TJ-MS, o julgamento deverá ocorrer dentro dos próximos três meses, conforme informou o juiz da 2ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida e do Tribunal do Júri, Aluízio Pereira dos Santos.

 Desde abril de 2007, quando o Ministério Público Federal iniciou o levantamento das denúncias, foram apreendidas 9.896 fichas de mulheres com idades entre 19 e 45 anos que seriam clientes de Neide. Entre elas havia anotações de procedimentos médicos supostamente realizados há mais de 20 anos, o que motivou o cancelamento 8.340 fichas devido à prescrição da pena.

 Considerando também a falta de elementos que configurassem a realização de aborto, o número total de acusadas passou a ser 1.250. Desse total, 900 ainda estão sendo ouvidas na 1ª Delegacia de Polícia Civil, onde a estimativa para conclusão das audiências é no final deste ano. Os inquéritos concluídos são remetidos ao Fórum de Campo Grande. Nas denúncias feitas pelo Ministério Público Estadual, consta que cada cliente da médica pagou quantias entre R$ 500 e R$ 3.700, informações contidas nas fichas médicas de 27 pacientes atendidas em 2007.”

 Posição da Doutrina Espírita

A defesa à vida e, consequentemente, a proteção à oportunidade de vida ao espírito que habita o ventre materno é amplamente discutida em obras espíritas, ressaltamos duas:

  •  Primeiramente, posiciona-se O Livro dos Espíritos – LE quanto ao tema:

 A pergunta 344 permite-nos assegurar, apoiados na autoridade de O Livro dos Espíritos, a união concreta existente entre o espírito que se prepara para encarnar e o corpo mesmo antes de completa a gestação:

“Em que momento a alma se une ao corpo?

 — A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez vai apertando até o instante em que a criança vê a luz (…).”

 Numa referência direta ao ato do aborto, expõe, sem espaço para dúvidas, a posição da doutrina a pergunta 358 que preza, primeiramente pela dádiva da vida:

 Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?

 — Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre ao tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, porque isso impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”

 Ressalvando a impermeabilidade da questão anterior, vem a pergunta 359 explicar a única exceção em que não seria moralmente reprovável o aborto

“Dado o caso em que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

— Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.” (Entende-se que o ser referido seja o ser encarnado no mundo, após o nascimento).

  • Aproveitando o ensejo do último livro indicado em nosso blog, vale-se Nosso Lar da seguinte passagem referente às tenebrosas consequências por que passa aquele que conluia com tal prática:

  “[…] Deparou-se-nos, então, a miserável figura da mulher que implorava socorro do outro lado. Nada vi, senão o vulto da infeliz, coberta de andrajos, rosto horrendo e pernas em chaga viva; mas Narcisa parecia divisar outros detalhes, imperceptíveis ao meu olhar, dado o assombro que estampou na fisionomia, ordinariamente calma.

_ Filhos de Deus – bradou a mendiga ao avistar-nos -, dai-me abrigo à alma cansada! Onde está o paraíso dos eleitos, para que eu possa fruir a paz desejada.

Aquela voz lamuriosa sensibilizava-me o coração. Narcisa, por sua vez, mostrava-se comovida, mas falou em tom confidencial:

_ Não está vendo os pontos negros?

_ Não – respondi.

_ Sua visão espiritual ainda não está suficientemente educada. E, depois de ligeira pausa, continuou:

_ Se estivesse em minhas mãos, abriria imediatamente a nossa porta; mas, quando se trata de criaturas nestas condições, nada posso resolver por mim mesma. Preciso recorrer ao Vigilante-Chefe, em serviço.

Assim dizendo, aproximou-se da infeliz e informou, em tom fraterno:

_ Faça o obséquio de esperar alguns minutos.

Voltamos apressadamente ao interior. Pela primeira vez, entrei em contacto com o diretor das sentinelas das Câmaras de Retificação. Narcisa apresentou-me e notificou-lhe a ocorrência. Ele esboçou um gesto significativo e ajuntou:

_ Fez muito bem, comunicando-me o fato. Vamos até lá. Dirigimo-nos os três para o local indicado.

Chegados à cancela, o Irmão Paulo, orientador dos vigilantes, examinou atentamente a recém-chegada do Umbral, e disse:

_ Esta mulher, por enquanto, não pode receber nosso socorro. Trata-se de um dos mais fortes vampiros que tenho visto até hoje. É preciso entregá-la à própria sorte.

Senti-me escandalizado. Não seria faltar aos deveres cristãos abandonar aquela sofredora ao azar do caminho? Narcisa, que me pareceu compartilhar da mesma impressão, adiantou-se suplicante:

_ Mas, Irmão Paulo, não há um meio de acolhermos essa miserável criatura nas Câmaras?

_ Permitir essa providência – esclareceu ele -, seria trair minha função de vigilante.

E indicando a mendiga que esperava a decisão, a gritar impaciente, exclamou para a enfermeira:

_ Já notou, Narcisa, alguma coisa além dos pontos negros?

Agora, era minha instrutora de serviço que respondia negativamente.

_ Pois vejo mais – respondeu o Vigilante-Chefe.

Baixando o tom de voz, recomendou:

_ Conte as manchas pretas.

Narcisa fixou o olhar na infeliz e respondeu, após alguns instantes:

_ Cinqüenta e oito.

O Irmão Paulo,com a paciência dos que sabem esclarecer com amor, explicou:

_ Esses pontos escuros representam cinqüenta e oito crianças assassinadas ao nascerem.

Em cada mancha vejo a imagem mental de uma criancinha aniquilada, umas por golpes esmagadores, outras por asfixia. Essa desventurada criatura foi profissional de ginecologia.

A pretexto de aliviar consciências alheias, entregava-se a crimes nefandos, explorando a infelicidade de jovens inexperientes. A situação dela é pior que a dos suicidas e homicidas, que, por vezes, apresentam atenuantes de vulto.

 […]

 O Vigilante-Chefe aproximou-se, então, da pedinte e perguntou:

_ Que deseja a irmã, do nosso concurso fraterno?

_ Socorro! socorro! socorro!… – respondeu lacrimosa.

_ Mas, minha amiga – ponderou acertadamente -, é preciso sabermos aceitar o sofrimento retificador. Por que razão tantas vezes cortou a vida a entezinhos frágeis, que iam à luta com a permissão de Deus?

Ouvindo-o, inquieta, ela exibiu terrível carantonha de ódio e bradou:

_ Quem me atribui essa infâmia? Minha consciência está tranqüila, canalha!… Empreguei a existência auxiliando a maternidade na Terra. Fui caridosa e crente, boa e pura…

_ Não é isso que se observa na fotografia viva dos seus pensamentos e atos. Creio que a irmã ainda não recebeu, nem mesmo o benefício do remorso. Quando abrir sua alma às bênçãos de Deus, reconhecendo as necessidades próprias, então, volte até aqui.

_ Irada, respondeu a interlocutora:

_ Demônio! Feiticeiro! Sequaz de Satã!… Não voltarei jamais!… Estou esperando o céu que me prometeram e que espero encontrar. Assumindo atitude ainda mais firme, falou o Vigilante-Chefe com autoridade:

_ Faça, então, o favor de retirar-se. Não temos aqui o céu que deseja. Estamos numa casa de trabalho, onde os doentes reconhecem o seu mal e tentam curar-se, junto de servidores de boa-vontade.

_ A mendiga objetou atrevidamente: Não lhe pedi remédio, nem serviço. Estou procurando o paraíso que fiz por merecer, praticando boas obras.

E, endereçando-nos dardejante olhar de extrema cólera, perdeu o aspecto de enferma ambulante, retirando-se a passo firme, como quem permanece absolutamente senhor de si.

Acompanhou-a o Irmão Paulo com o olhar, durante longos minutos, e, voltando-se para nós, acrescentou:

_ Observaram o Vampiro? Exibe a condição de criminosa e declara-se inocente; profundamente má e afirma-se boa e pura; sofre desesperadamente e alega tranqüilidade; criou um inferno para si própria e assevera que está procurando o céu.

Ante o silêncio com que lhe ouvíamos a lição, o Vigilante-Chefe rematou:

_ É imprescindível tomar cuidado com as boas ou más aparências. Naturalmente, a infeliz será atendida alhures pela Bondade Divina, mas, por princípio de caridade legítima, na posição em que me encontro, não lhe poderia abrir nossas portas.”

 André Luiz. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Cap. 31.

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About jizel

Blog da juventude espírita irmã Zélia

One response to “Espiritismo no dia-a-dia”

  1. jizel says :

    Desculpem, foi o texto menos extenso que pude fazer sem alterar a reportagem e considerando-se a importância do tema…

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